Poker Guias

O que é GTO e como ele transformou o poker

O que é GTO e como ele transformou o poker

Se você já não é mais um iniciante no poker e está começando a estudar sobre estratégias de jogo, provavelmente se deparou com o termo GTO (Game Theory Optimal, ou Teoria do Jogo Ótimo em tradução literal).

Em nosso jogo de cartas favorito, o GTO nada mais é do que uma estratégia baseada na “Teoria dos Jogos”, estabelecida no início de Século XX. Ela ganhou maior notoriedade no início dos anos 2000, graças ao salto no desenvolvimento tecnologico de algoritmos e inteligências artificiais, fatores que permitiram a sua popularização e modernização. 

Mas nem sempre jogar com o GTO em mente é a melhor estratégia possível: além de não sermos humanamente capazes de calcular todas as possibilidades reais do poker, o jogo também tem um fator crucial que modifica tudo – o blefe.Pensando em sua importância para o poker moderno, nesse artigo contaremos um pouco sobre a história do GTO, como ele se tornou popular, qual a sua relação com os solvers, dicas para você utilizar essa estratégia em suas partidas e muito mais.

História da Game Theory Optimal

Os princípios teóricos

O GTO não é um termo que nasceu de repente, nos últimos anos. O início de sua formulação surge quase 100 anos atrás, com os estudos do matemático húngaro-americano John von Neumann.

Neumann publicou o livro “Theory of Games and Economic Behavior”, em 1944, onde apresenta o conceito de “Teoria dos Jogos” – resumidamente, a teoria explica que em jogos com pelo dois jogadores existe uma estratégia ótima onde a perda é a mínima possível.

Esse conceito é melhor desmembrado – e a aplicado ao poker – com as contribuições de John Nash, que formaliza o conceito de “Equilíbrio de Nash” na década de 1950. Sua concepção afirma que existe um ponto em jogos como o poker onde dois jogadores encontram estratégias que não podem ser explorados pelo outro.

Essa afirmação implica dizer que é possível, no poker, encontrar um estilo de jogo que se adapta a forma como seu adversário joga e que diminui em quase 100% as chances de ser explorado. 

Com essa arcabouço teórico nas mãos, jogadores de poker que já utilizavam a matemática para basear suas decisões, começaram a estudar mais o GTO, surgindo assim as primeiras menções “digeríveis” do termo para o público geral do jogo.

É com o livro “Teoria do Poker” (1978), de David Sklansky, que a Game Theory Optimal alcança as “multidões”, deixando de ser um termo exclusivo dos matemáticos e acadêmicos para chegar também aos clubes de poker e salões de cassinos.

O livro de Sklansky foi tão importante que até hoje é utilizado por muitos jogadores que estão sendo introduzidos ao poker e também por aqueles que desejam revisitar conceitos.

A era dos solvers

No final do século XX e início do século XXI, não apenas o poker, mas o mundo inteiro passou por uma revolução tecnológica. Essa mudança de patamar permitiu que o jogo de cartas fosse explorado de diversas maneiras, e uma delas foi a criação de algoritmos que pudessem simular as melhores decisões para cada situação: um jogador de poker robótico e perfeito.

Quem “conceitua” o algoritmo mais famoso para bots de poker são os pesquisadores da Universidade de Alberta, no Canadá. Counterfactual Regret Minimization, ou Minimização de Arrependimento Contrafactual em português, é a lógica por trás das ações que guiam os robôs, criada em 2007.

O CFR foi criado como um algoritmo que aprende com base em uma infinidade de erros. A lógica é a seguinte: ele realiza uma ação e o resultado dessa ação no jogo é contabilizado como positivo ou negativo, baseando a tomada de decisões no futuro.

Com milhões de ações contabilizadas, o robô consegue escolher a melhor possível entre elas todas as vezes – diferente dos humanos, que não possuem capacidade intelectual para memorizar toda essa informação.

E ai que chegam os solvers: programas criados para simular as ações que acontecem nas mesas, sugerindo respostas com base na Teoria do Jogo Ótimo. Simple Postflop, PioSOLVER e MonkerSolver foram os primeiros, crescendo em popularidade no início da década de 2010.

De início, esses programas ainda eram muito caros, restringindo seu uso para profissionais e mentores de poker. Mas foi com a chegada de novas opções no mercado, como o GTO Wizard, que a Game Theory Optimal ganhou notoriedade e passou a se tornar um termo popular nos fóruns, mesas e salas de estudo como podemos ver hoje.

Os jogadores mais conhecidos por estratégias GTO

Fedor Holz

Perfil e dados de Fedor Holz
Fedor Holz

Um dos jogadores mais bem-sucedidos do poker na história, com resultados espetaculares no poker online e ao vivo, Holz tem um profundo entendimento sobre GTO e o utiliza no seu dia a dia – realizando ajustes exploratórios quando necessário.

O uso estratégico do GTO por parte do alemão vem a partir de um profundo entendimento dos solvers, utilizando-se deles para analisar e explicar mãos jogadas – com foco em considerações a respeito do impacto emocional e motivação por trás de decisões.

Holz, que foi considerado o melhor jogador de poker do mundo por dois anos consecutivos, já acumula mais de US$ 50 milhões somente em lives e ocupa uma posição entre os 15 jogadores mais bem-sucedidos nos torneios ao vivo.

Justin Bonomo

Justin Bonomo
Justin Bonomo

Justin Bonomo é reconhecidamente um dos jogadores que melhor entende o uso da Game Theory Optimal no poker. Ele não só entende da teoria, mas também tem a frieza para aplicá-la quase que perfeitamente em suas decisões.

A questão é a seguinte: o nervosismo, estresse ou descontrole emocional são fatores fundamentais para impedir um jogador de aplicar o GTO ao seu jogo. Isso porque ele deve jogar o mais próximo da teoria, sem deixar que emoções afetem suas decisões. Esse é o poder de Bonomo.

Outro fator que torna Bonomo reconhecido como um mestre do GTO são os anos que dedicou aos estudos utilizando a ferramenta. Com tanta informação acumulada ao longo do tempo, o estadunidense difícil é explorado nos torneios e se torna um adversário complicado nos high stakes. 

Stephen Chidwick

Stephen Chidwick
Stephen Chidwick

Com mais de US$ 75 milhões somente em torneios live, o britânico Stephen Chidwick ocupa a segunda posição na lista de jogadores mais bem-sucedidos da histórai do poker ao vivo.

Chidwick não apenas usa o GTO, mas ele também já defendeu a estratégia publicamente, explicando como seu uso pode ser extremamente criativo e “zero” robótico. Assim como os nomes anteriores, o britânico não utiliza cegamente a Teoria do Jogo Ótimo, mas aplica estrategicamente em suas mãos.

Dicas de GTO para seu jogo de poker

  • GTO é base, não regra: com a popularização do GTO no poker, muitos jogadores passaram a ter acesso a essa filosofia sem ter um entendimento profundo sobre a estratégia; nos últimos anos, muitos “gurus” passaram a ensinar que entender de poker é memorizar o GTO, mas isso não é verdade. Os grandes profissionais repetem com frequência: a Teoria do Jogo Ótimo é uma base matemática, que deve ser ajustada de acordo com seus oponentes e situações de jogo.
  • Entenda o que aconteceu em cada mão: no lugar de tentar memorizar situações de cada mão, utilize solvers para entender o que aconteceu. A ideia é compreender a lógica por trás da ação de seus oponentes e não decorar quais as duas cartas que ele usava, em qual posição da mesa, em qual momento do turno: é humanamente impossível. 
  • Simplifique ranges: é comum que jogadores em diferentes stakes ou fases de torneio variem a forma como estão jogando. Entender isso também é ajustar o seu jogo ao jogo dos seus adversários, tornando mais simples explorá-los. Utilize solvers para identificar o range dos adversários de torneios de US$ 2 quando se chega perto da bolha e explore o medo. Saiba como os adversários jogam em torneios de US$ 500 quando o ITM finalmente chega e explore aqueles que estão desesperados para dobrar.