Devanir Campos conta história da primeira BSOP em 2006
- Verificado por: PokerListings
- Última atualização em: fevereiro 12, 2026 · 8 min minutos de leitura
A maior série de poker do Brasil comemora 20 anos em 2026, e o time da PokerListings preparou um conteúdo especial para contar a história da primeira BSOP (Brazilian Series of Poker).
A partir de uma entrevista exclusiva com Devanir Campos, um dos fundadores e atual CFO (Chief Financial Officer) da série, iremos falar sobre o cenário brasileiro de poker antes do surgimento da BSOP, quais foram os impactos da Brazilian Series para o crescimento do jogo no país, descobrir mais detalhes sobre a primeira edição e comentar sobre o momento atual do poker brasileiro.
Saiba porque Devanir e outras três pessoas tomaram a decisão de criar uma série nacional, quais foram as principais dificuldades encontradas pelos vanguardistas do poker no Brasil, a importância de nomes como Leandro “Brasa” Pimentel (campeão da 1ª edição) e muito mais.
O cenário brasileiro de poker antes da BSOP
A história de surgimento da Brazilian Series of Poker está intimamente ligada com o crescimento do Circuito Paulista anos antes. Desde 2004, um grupo de amigos (entre eles Devanir Campos) já tinham interesse em reunir pessoas para jogar poker, organizando naquele momento os primeiros torneios em São Paulo.
O grupo morava em Campinas, mas recebia convites de outros interessados para realizarem jogos em outras cidades, como Sorocaba e São Caetano, também em São Paulo. Assim, nasceu o Circuito Paulista, que logo de cara passou a reunir jogadores de todo o Brasil:
“A cada etapa atraiamos mais e mais gente. Começamos a notar que vinham pessoas de Curitiba, Belo Horizonte, Brasília e Rio de Janeiro só para jogar o Circuito Paulista”, explica Devanir. Com esse destaque e o título de maior torneio do Brasil na época, Devanir e outros três jogadores se juntam para fundar uma série de caráter nacional, a Brazilian Series of Poker.
Então, em 2006, a BSOP realiza sete etapas – e um Torneio de Campeões, sendo três delas em cidades fora de SP: Balneário Camboriú (RS), Curitiba (PR) e Rio de Janeiro (RJ) – sendo a capital carioca a edição do ano, com mais de 100 inscrições.
“O critério de cidades fomos adotando a partir de lugares que tinham clubes de poker, nas cidades onde eles começaram a surgir. Existia um preconceito muito grande naquela época. Às vezes você chegava em um hotel para tentar locar um salão para evento e eles não queriam”, conta o CFO.
BSOP ajuda a “desbravar” mentalidade sobre poker no país
Como todo movimento de vanguarda, a organizações de torneios de poker no Brasil enfrentou algumas dificuldades durante os primeiros anos. “Foi um desafio muito grande, na verdade. Acho que a BSOP foi fundamental para mudar a percepção social do que é poker, porque a lei não mudou”, afirma o empresário.
Devanir explica que, na época, o poder público (sob as mãos do Ministério Público e da Justiça – não entendiam a legalidade do poker.
“Não tinha ninguém fazendo poker para explicar o que era. A gente lidou com muitas dificuldades: desde hotéis que não queriam eventos, interrupção de torneios por agentes do poder público, até responder na Justiça e precisar se defender de ações para mostrar que o poker não era uma atividade ilegal”, desabafa o co-fundador da BSOP.
Mas a luta não foi em vão, e hoje o poker está mais do que consolidado no cenário brasileiro. “Valeu bastante a pena. Vemos o patamar que o poker atingiu no Brasil, uma percepção social muito tranquila do que é poker e do quanto ele é saudável do ponto de vista legal”, completa.
O papel de Devanir Campos, Akkari, Igor Federal e outros pioneiros do poker no Brasil
Sabendo como funcionou o “pano de fundo” e as primeiras dificuldades enfrentadas pela BSOP em seu nascimento, também torna-se importante conhecer os personagens que fizeram essa história acontecer.
Devanir Campos, popularmente conhecido como “DC” no cenário, iniciou na BSOP com outros três sócios, realizando os trabalhos da parte operacional dos eventos, desde a preparação técnica (com regras, dealers e treinamento dos profissionais) até a logística (material, mesas e fichas, por exemplo).
Segundo o CFO, na época o evento era muito menor, mas também era “tocado” por apenas uma pessoa: o próprio Devanir.
“Aquele momento era tudo mato mesmo. A gente tava criando processos, entendendo como fazer torneios de poker, buscando as melhores práticas fora do Brasil, vendo o que existia legal fora e trazer a experiência para cá”, explica.
Mas outros nomes também foram importantes para o crescimento do poker na época, em diferentes contextos:
- Leandro “Brasa” Pimentel, o campeão da 1ª edição, era um dos idealizadores dos torneios de poker no Brasil, como o Circuito Paulista e a própria BSOP.
- André Akkari consolidou a visão de um jogador de poker profissional no mercado e até hoje é uma referência técnica no jogo.
- Igor Federal inicialmente como jogador, mas depois como empreendedor e um dos líderes na batalha pela percepção social de legalidade no poker.
- Raul Oliveira e Christian Kruel, os primeiros “ídolos” dos brasileiros, realizando feitos nacionais e internacionais antes mesmo do jogo se popularizar no país.
- Fábio “DeuZebra” Monteiro, um dos primeiros a jogar poker com “seriedade”, especialmente no Omaha, com direito a título em um evento da Full Tilt Online Poker Series.
- Will Arruda, fundador da 4bet (uma das principais escolas de poker do Brasil) e um dos principais nomes técnicos do país, sendo referência mundial no treinamento e educação sobre poker, responsável por ensinar o jogo no país por mais de 20 anos.
Além de muitos outros nomes que fariam uma lista super extensa neste artigo. “Tem muito nome incrível que passou pelo mercado. Pessoas que ajudaram a fazer tudo isso virar o que é hoje. […] A gente tá premiado de nomes que fizeram esse mercado acontecer”, exalta Devanir.
Main Event da BSOP era “high roller” em 2006

Como dito anteriormente, a primeira BSOP ocorreu em 2006, com 7 etapas principais e um Torneio dos Campeões no final do ano. Além de São Paulo, o torneio também visitou outras três cidades do Brasil, entre maio de 2006 e janeiro de 2007.
Com 34 inscritos, a etapa de Balneário Camboriú foi a menor, com 34 inscritos e uma premiação total de R$ 28.900 e R$ 10.000 para o campeão. No Rio de Janeiro, a série bateu seu recorde, com 115 inscrições e quase R$ 100 mil de prize pool.
Segundo Devanir, o buy-in de R$ 1.000 para o Main Event era, naquela época, considerado muito caro. “Naquele momento era bem high stakes porque o jogo era muito barato no Brasil”, conta.
Para efeitos de comparação, torneios regulares do Brasil costumavam ter buy-in de R$ 50 e R$ 100, com eventos esporádicos em São Paulo a R$ 250 (uma vez por semana) e R$ 500 (uma vez por mês) – torneio onde a presença de profissionais era mais comum.
Para efeitos de comparação, estimamos ser necessário somar de 8 a 10 vezes o valor do real atualmente para ter um panorama real da época:
“Era outro patamar econômico, de entendimento de como lidar com o poker. […] Quando chegamos com um torneio de R$ 1.000 diziam que não ia dar certo, que era muito caro e ninguém ia jogar. Naquela época foi um paradigma, um choque para o mercado, e acho que foi o limite de buy-in que poderia existir”, explica.
Leandro “Brasa” Pimentel: regularidade e título

Se alguns nomes jamais serão esquecidos pelo poker do Brasil, Leandro “Brasa” é um deles, graças ao seu título de Campeão Brasileiro em 2006. Apesar de não ter ganhado nenhum Main Event, o profissional foi extremamente regular e participou de todas as etapas do ano.
“O sistema da primeira temporada premiava muito a regularidade. Você pontuar/premiar várias vezes era muito importante. […] Naquela época, para você ser campeão, você tinha que ir em mais de metade dos eventos do ano. Ele foi em todos. […] Ele era um dos poucos jogadores de poker do Brasil, naquela época, que era ultra regular”, conta.
Além de Brasa, Devanir só consegue identificar dois nomes de jogadores verdadeiramente populares entre os campeões da BSOP 2006: Luis Filipe Andrade e Victor Marques, campeões da 4ª e 7ª etapas, respectivamente.
“O Brasa era um dos poucos jogadores realmente regular, jogava e treinava e se dedicava com muita frequência. Nesse ano, se não me engano, ele toma a decisão de deixar a carreira que tinha antes – em uma multinacional de telecomunicações – para se dedicar ao poker”, revela o CFO. “Você conta nos dedos, no Brasil, jogadores regulares que se dedicavam a jogar poker”, completa.
O futuro do poker no Brasil
Para completar nossa conversa, não poderíamos deixar de falar sobre os impactos da BSOP ao longo do tempo, especialmente em 2026 quando a série faz 20 anos e segue realizando grandes mudanças na forma como o poker é jogado no Brasil.
Somente na última temporada, grandes nomes do poker da atualidade tiveram destaque em grandes eventos internacionais. João Simão ganhou mais de US$ 10 milhões em 2025 somente nos presenciais, Padilha se tornou o primeiro jogador do país com duas premiações de oito dígitos em um ano e o Brasil foi líder de braceletes na WSOP Online.
“Nossos jogadores tiveram menos tempo para se tornar grades profissionais do que alguns norte-americanos e europeus. Estamos há 20 anos só. Isso mostra a qualidade dos profissionais que temos. […] Agora, após 20 anos, vemos o resultado: João Simão, Yuri Martins, Padilha. É quase injusto citar nomes, porque vou esquecer de muita gente boa”, finaliza.
E você, tem alguma história sobre a primeira edição da BSOP? Fique a vontade para compartilhar suas experiências com o poker no início dos anos 2000 em nossa aba de comentários!
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