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Como Felipe Mojave trocou o banco pelo poker e virou referência no Brasil

Como Felipe Mojave trocou o banco pelo poker e virou referência no Brasil

Felipe “Mojave” Ramos é, definitivamente, um dos jogadores de poker mais conhecidos do Brasil. Um dos pioneiros do jogo no país – tanto online quanto ao vivo –, Ramos acumula milhões em premiações, mas seu legado vai muito além do dinheiro conquistados nos torneios.Os fãs do jogador puderam conhecer um pouco mais de sua história e filosofia de jogo com o documentário publicado por Mojave em seu canal no YouTube neste último mês de abril. Um dos principais destaques do filme se revela logo no início, quando descobrimos que o embaixador da GGPoker largou um emprego como gerente bancário (aos 20 e poucos anos) para seguir a carreira no jogo.

De gerente de banco a profissional do poker antes dos 30 anos

A história de Mojave é contada de uma forma bastante pessoal no documentário. Toda a história começa no início dos anos 2000, quando Felipe Ramos conhece o poker no mesmo dia em que o Brasil foi campeão da Copa do Mundo de 2002.

Desde então, nunca mais largou o jogo – ainda que a relação fosse somente de lazer naquele momento. Crescendo no ABC Paulista (região metropolitana de São Paulo), o jogador sempre foi dedicado as atividades que praticava: seja na escola ou nos esportes.

Além de bastante inteligente, Mojave sempre foi incetivado pelo pai a ter sucesso: e foi guiado para ter uma carreira bastante estável. Começou trabalhando em um banco como estagiário e, poucos anos depois, já era um dos gerentes da instituição: um dos mais jovens da história do BankBoston.

A mudança surpreendente na vida de Mojave

Alguns anos depois, Mojave passou a ter um comportamento “estranho” para a família. Chegava tarde da rua, acordada atrasado para o trabalho. Às vezes faltava vários dias seguidos. Foi o momento em que Mojave passou a jogar poker mais assiduamente e participava de torneios na região, dedicando um bom tempo do seu dia aos jogos.

Não precisou de muito tempo para Felipe Ramos revelar para os pais que saíria do seu emprego (estável) no banco. Com seus resultados, o jogador chamou atenção de patrocinadores estrangeiros e logo foi patrocinado. Na época, foi chamado de “louco” pelo ex-chefe, que afirmou que o jogo não “levaria a nada” – parece que ele errou.

Os primeiros grandes resultados

Logo após ser patrocinado, Mojave encarou grandes torneios e passou a tomar os holofotes brasileiros na modalidade. Sua primeira série, a EPT San Remo 2008, traz boas lembranças: Ramos se tornou o primeiro brasileiro premiado em um Main Event do circuito europeu. 

Nesse mesmo ano Mojave quase morreu! No vídeo, Jason Mercier (amigo de Mojave e um dos profissionais mais bem-sucedidos da história) conta que, após vencer em San Remo, saiu com Ramos e outros quatro jogadores para uma boate. Neste mesmo dia, estiveram envolvidos em uma briga onde três pessoas (incluindo ele e Mojave) foram esfaqueadas.

Alguns caras simplesmente quiseram brigar com a gente. Eu, ele e mais um cara fomos esfaqueados naquele dia. Então temos essa conexão única porque ambos ficamos felizes por termos sobrevivido”, revelou o profissional com mais de US$ 21 milhões em premiações.

Sua primeira vez em Vegas também foi em 2008 e, desde então, segue participando dos eventos da WSOP quase todos os anos.

Em 2010, Mojave voltou a fazer história: o jogador se tornou o primeiro brasileiro a conquistar um anel do circuito da WSOP – vencendo um torneio de Omaha na edição da África.

Mojave se livra dos estigmas no poker

Mojave, como muitos outros, foi afetado pela Black Friday do poker. Não somente pelo desmembramento de grandes plataformas, mas também pelo estigma que o jogo já carregava – e voltou a carregar – naqueles anos. 

Mas Ramos também foi fundamental para desmistificar o poker como um “jogo de azar”, graças a sua história de vida: saiu de gerente de banco para jogador profissional, demonstrando que as cartas são honestas.

Aliás, a personalidade de Mojave é um dos traços mais característicos do jogador. Por onde passa, Ramos acumula boas relações. Outro grande profissional que admira o jogador é Phil Hellmuth:

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Phil Hellmuth

Só de tê-lo ao meu lado, traz muita positividade. Ele é atencioso o suficiente para se importar quando saio das salas furioso

MojaSquad, o início de uma nova era

A filosofia de vida de Mojave não estimulou somente os profissionais. Durante a pandemia, o jogador iniciou um projeto que mudaria o poker no Brasil: a MojaSquad, lives de grandes torneios – tomando decisões ao vivo, compartilhando suas emoções, raciocínio.

Essa comunidade se tornou muito importante para centenas de pessoas, como revelou Carlos Eduardo, um dos membros da MojaSquad:

“Salvou o mindset de muitas pessoas. O estilo da live dele sempre foi de positividade. Essa foi uma época onde se precisava muito disso”, conta.

As lives capturaram um momento bem importante da carreira de Mojave. Em 2021, o jogador chegou muito perto de conquistar seu primeiro bracelete da WSOP, mas caiu no heads-up, ficando com o 2º lugar: tudo ao vivo na Twitch. Ramos chegou a chorar durante a transmissão para mais de 7 mil pessoas.

Em 2023, um novo vice: dessa vez no live. Em novo heads-up, Mojave caiu em 2º lugar em Vegas. Considerado o “padrinho do poker” no Brasil para muitos (inclusive Daniel Negreanu), Mojave vive o poker em todos os pedaços da sua vida: sua esposa, Natalie Hof, também surgiu dessa relação do profissional com o poker.

A resiliência e autoescuta sempre foram os caminhos indicados pelo profissional, que hoje acumula milhares de fãs em todo o Brasil – e no mundo. A dica de Mojave é:

Confie em você, acredite em sua intuição, ouça a voz que vem de dentro. Foi o que me levou a chegar onde cheguei. Quando dei mais voz a fatores externos, me perdi. […] A melhor dica que posso dar é para você buscar o próprio caminho. Só você sabe seus anseios e medos”, afirmou.

  • Você pode conferir o documentário completo, na íntegra, no canal do YouTube de Mojave: