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Começando com MTTs no poker: o que estudei e próximos passos

Começando com MTTs no poker: o que estudei e próximos passos

Quem acompanha meus artigos na PokerListings deve saber que, após alguns meses escrevendo para o portal de notícias, resolvi desafiar meus conhecimentos adquiridos sobre poker jogando torneios em três plataformas: GGPoker, PokerStars e WPT Global. A primeira experiência não trouxe recompensas financeiras, mas serviu para que eu pudesse aprender mais sobre o jogo e identificar as lacunas que faltam no meu desenvolvimento.

Com isso em mente, me debrucei sobre cinco temas fundamentais para todos os que desejam começar a jogar torneios de poker: posição, range (ou mãos iniciais), gestão de banca, size de bets e adaptação as fases do torneio. A escolha destes cinco tópicos não foi aleatória; quanto mais pesquisava sobre o aprimoramento do meu jogo em torneios, mais vezes esses assuntos apareciam nos conteúdos criados pelos principais nomes do poker no mundo.

Antes de voltar as mesas, resolvi estudar, e agora compartilharei com vocês mais um passo sobre meu crescimento no jogo. Neste artigo, explicarei um pouco sobre o que aprendi sobre todos os temas citados anteriormente, ajudando aqueles que, assim como eu, também desejam melhorar suas decisões em um dos jogos de cartas mais populares do mundo.

UTG, cutoff, button: o que são posições e como afetam seu jogo

Quando comecei a estudar torneios, entendi que saber mais sobre posições é quase tão importante quanto entender as próprias cartas. Antes, eu entrava em potes porque me sentia confortável com uma mão. Hoje, dificilmente deixo de considerar onde estou sentado na mesa antes de decidir qualquer ação.

Não é exagero: posição é um dos pilares do poker moderno e talvez o mais ignorado por iniciantes – como eu. Cada assento tem um peso estratégico diferente, e isso muda completamente a forma como você deve construir seu range e reagir às ações dos oponentes.

  • Posições iniciais, como o UTG, exigem muito mais disciplina, porque você será o primeiro a agir pós-flop e tem menos informações sobre o que os outros jogadores farão.
  • Já nas posições finais, como cutoff e button, o jogo se torna mais confortável: você vê o que todo mundo fez antes e pode explorar melhor as fraquezas do field, abrindo ranges mais amplos e aplicando pressão quando necessário.

O UTG é, basicamente, a posição que mais puniu meus erros. Quantas mãos que eu considerava fortes foram quebradas por adversários que estavam ainda melhores do que eu em posições finais.

Precisei encarar algumas derrotas dolorosas para entender que uma mão que parece forte na teoria pode ser facilmente dominada quando você está fora de posição.

Por outro lado, quando estava no button, tudo mudava. Esse é o melhor assento da mesa por um motivo simples: agindo por último, posso controlar o tamanho do pote com mais precisão e identificar padrões dos adversários.

Em resumo, posição afeta tudo: minha seleção de mãos, a agressividade que podemos aplicar, a quantidade de mãos lucrativas no longo prazo e até minha confiança na mesa.

Range: como saber quais mãos jogar?

Quando comecei a jogar torneios, eu acreditava que saber “quais mãos são boas” era algo quase intuitivo. Bastava reconhecer as óbvias — pares altos, AK, AQ — e evitar o resto. Mas, um pouco de estudo me fez perceber que o range não tem a ver com intuição e sim com matemática, posição e adaptação ao cenário.

O range é o conjunto de mãos que você decide jogar em determinada situação. Ele muda com a posição, com o tamanho do seu stack, com o nível do torneio e até com a forma como seus adversários estão se comportando.

Os profissionais não escolhem mãos aleatoriamente; eles seguem estruturas claras que maximizam a lucratividade de longo prazo. Eu só entendi isso quando percebi que abrir mãos como KJo no UTG era bem diferente de abrir a mesma mão no button — e que a maioria dos meus erros nascia dessa falta de percepção.

Para simplificar a lógica: quanto mais cedo você fala na mão, mais curto deve ser seu range. Isso acontece porque mais jogadores ainda precisam agir, o que aumenta a probabilidade de alguém ter uma mão mais forte. Em posições finais, o cenário se inverte: você ganha informação e pode abrir mãos mais fracas.

Ranges são ótimos pontos de partida, mas não são uma camisa de força. Em fields recreativos, foi importante ajustar meu range. Jogadores muito passivos deixam você abrir mais mãos lucrativas no longo prazo. Jogadores muito agressivos exigem ranges mais sólidos e uma postura mais firme para evitar posições ruins.

Range também conversa com dinâmica: se você está com um stack curto, mãos como A5s ou pares baixos ganham valor como all-in ou fold; se está bem, mãos suited e conectadas podem se tornar armas perigosas para potes grandes.

Entender range foi, para mim, o momento em que o jogo deixou de parecer caótico. De repente, minhas decisões tinham lógica, propósito e consequência previsível. Foi um tipo de conhecimento que não apenas melhorou meu resultado, mas também reduziu minha ansiedade ao me perguntar se estava jogando as mãos certas.

Bankroll management: preciso evitar o esvaziamento da minha banca

Se tem um tema que subestimei quando comecei a jogar, foi gestão de banca. No começo, eu achava que o importante era aprender estratégia e jogar bem. Não demorou muito para perceber que esse pensamento é uma armadilha: talvez a maior de todas para quem joga torneios.

Você pode ser tecnicamente bom, pode estudar horas por semana, pode até ter uma boa sequência por alguns dias… mas sem uma gestão de banca sólida, seu dinheiro simplesmente desaparece.

A verdade é que torneios são extremamente voláteis. Você pode jogar vinte, trinta MTTs seguidos sem cravar nada — mesmo tomando todas as decisões corretas. Variância não pede permissão e, quando você não está preparado, ela morde fundo. Foi exatamente isso que me fez repensar minha relação com os buy-ins.

O conceito central do bankroll management foi simples de entender: jogar limites que minha banca suportava. Na prática, isso significa evitar impulsos como entrar em um torneio porque está lotado ou tentar um torneio com buy-in maior para compensar as últimas perdas.

Outra lição valiosa foi separar banca de vida pessoal. Parece óbvio, mas misturar dinheiro do poker com dinheiro do dia a dia cria uma confusão mental que impede qualquer crescimento real. Quando sua banca é realmente sua banca, com limites definidos e objetivos claros, você passa a respeitar os próprios resultados — mesmo os ruins.

No fim das contas, gestão de banca não é sobre jogar pouco ou ser medroso; é sobre garantir que você possa continuar estudando e evoluindo sem ser eliminado pelo fator mais cruel do jogo: a variância.

Size de bets: o meu maior desafio até aqui

De todos os temas que estudei até agora, o size de bets foi, sem dúvida, o que mais mexeu com minha cabeça. Não porque seja complicado demais, mas porque é um daqueles assuntos que desmonta completamente a forma como você acha que o poker funciona.

Antes, eu acreditava que apostar “um valor razoável” era suficiente. Meio pote aqui, pote cheio ali, um c-bet automático no flop e pronto. Só que, quando comecei a entender o porquê de cada tamanho, percebi que eu estava mais perdido do que imaginava.

O size das apostas é o que define a sequência de ações na mão. Ele controla o tamanho do pote, escolhe quais mãos você quer manter ou expulsar, manipula ranges e cria situações que, no longo prazo, aumentam sua lucratividade. Mas nada disso é intuitivo no começo.

O mais curioso é que esse foi o tópico que mais expôs minhas inseguranças. Muitas vezes, eu hesitava, me perguntando se o que estava apostando entregava a minha mão, se estava queimando fichas ao apostar alto demais ou perdendo valor por apostar pequeno demais.

Foi só quando comecei a entender os porquês — e não apenas decorar tabelas — que o desconforto começou a virar confiança. A parte mais valiosa de estudar sizes foi perceber que eles conversam com tudo que citei antes: com posição, range, stacks e mais.

Size é a engrenagem que conecta todas as outras partes da estratégia. E, sinceramente, é onde sinto que mais evoluí nas últimas semanas. Quando você percebe que suas apostas finalmente contam uma história coerente, o jogo fica mais claro.

Adaptação as fases de torneio: o que isso significa?

Se tem algo que diferencia torneios de qualquer outro formato de poker, é que o jogo muda completamente conforme as fichas entram, saem e as blinds aumentam. Adaptar-se às fases do torneio é entender que cada etapa exige um estilo de jogo, ranges e decisões próprios.

No início dos torneios, por exemplo, os stacks são profundos e os erros custam caro. Aqui, o foco não é “cravar potes” e sim jogar mãos com bom potencial de pós-flop, evitando confrontos desnecessários e construindo uma imagem sólida.

Conforme as blinds começam a subir e entramos no mid game, a dinâmica muda. As stacks já não são tão confortáveis, os jogadores comecem a sentir pressão e a variância aperta. Aqui, adaptação significa identificar quem está tentando sobreviver e quem está tentando acumular fichas.

Mas nada se compara à reta final. Bubbles, ITM, FT… cada uma dessas etapas cria uma tensão que afeta todo mundo. É aqui que o ICM entra pesado, que blefes precisam ser mais bem calculados e que a agressividade se torna uma arma fundamental.

Aprender sobre ICM foi quase como aprender um novo idioma: de repente, mãos que eu considerava triviais viraram decisões completamente diferentes dependendo de diversos fatores. 

O jogador que tenta aplicar a mesma estratégia do início até o fim acaba se perdendo no meio do caminho. Quando você entende essa dinâmica, começa a antecipar movimentos, reconhecer padrões e tomar decisões mais sólidas.

Agora é a hora da prática

Após semanas estudando e revisitando conceitos que eu achava que já dominava, percebi que existe um momento em que a teoria deixa de fazer sentido se não for colocada em jogo. E, honestamente, essa é a parte mais desafiadora.

Entrar nos torneios após absorver tudo isso é como voltar para uma mesa que você já conhece, mas com um novo olhar. De repente, cada ação faz mais sentido, cada detalhe importa e cada erro vira uma oportunidade de ajuste.

Agora, com todos esses fundamentos frescos na cabeça, o próximo passo é simples: abrir o lobby, escolher um torneio e colocar o aprendizado à prova. Pode não acontecer tudo de uma vez, mas cada sessão bem direcionada aproxima você do jogador que está tentando se tornar. A teoria te mostra o caminho — mas é na prática que você aprende realmente a caminhar.