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Brasil ultrapassa 50 braceletes na WSOP; relembre a trajetória

Brasil ultrapassa 50 braceletes na WSOP; relembre a trajetória

O Brasil chegou a 52 braceletes na história da World Series of Poker (WSOP). O marco simbólico dos 50 veio em junho de 2026, durante a 57ª edição da World Series em Vegas, com o hexacampeonato de Yuri Martins Dzivielevski

O número continuou crescendo e, dias depois, João Simão conquistou seu quarto título, enquanto Breno Drumond e Henrique Lessa venceram o Tag Team em julho, repetindo o feito de Kelvin Kerber e Peter Patrício, campeões do mesmo torneio em 2025.

De Alexandre Gomes, em 2008, até essa sequência histórica de 2026, o caminho não foi linear. Relembramos abaixo os nomes e os momentos que levaram o país a se tornar uma potência mundial do poker.

2008: o pioneirismo de Alexandre Gomes

Foi na 39ª edição da WSOP que o Brasil garantiu seu primeiro bracelete. Alexandre Gomes venceu o US$ 2.000 No Limit Hold’em, batendo o americano Marco Johnson no heads-up e faturando US$ 770 mil.

Mais do que a premiação, o título mudou a forma como o poker brasileiro era enxergado lá fora: até então, o país praticamente não existia no radar da WSOP.

Os primeiros grandes nomes: André Akkari e a geração fundadora

Depois de Gomes, o Brasil levou anos para engatar um ritmo consistente de conquistas. Foi nesse período que André Akkari e outros se tornaram os grandes embaixadores do jogo no país, ajudando a popularizar o poker fora das mesas. Casos como o do amador Roberly Felício também entraram para a história, mostrando que o bracelete não era exclusividade dos profissionais.

Até o fim dos anos 2010, porém, os títulos brasileiros ainda vinham de forma esporádico, um ou dois por ano, quando vinham.

2019/2020: os anos da virada para o Brasil

Dois eventos, quase simultâneos, mudaram a trajetória do país. Em 2019, Yuri Martins Dzivielevski conquistou seu primeiro bracelete – o sexto do Brasil na história –, ao vencer o US$ 2.500 Mixed Omaha Hi/Lo 8 or Better, Seven Card Stud Hi/Lo 8 or Better na 50ª edição da série. Foi o primeiro sinal de que uma nova geração de brasileiros estava prestes a mudar o jogo.

Logo depois, em 2020, a pandemia forçou a WSOP a criar a WSOP Online, realizada em parceria com a GGPoker. Sem a necessidade de visto, passagem ou hospedagem em Las Vegas, o formato digital “democratizou” o acesso à série mundial: e os brasileiros aproveitaram como poucos países no mundo.

O resultado está nos números: dos 52 braceletes conquistados pelo Brasil até hoje, mais da metade veio do ambiente online.

Ranking de braceletes do Brasil na WSOP por edição.
Ranking de braceletes do Brasil na WSOP por edição.

Yuri Martins Dzivielevski: o grande recordista de braceletes do Brasil

Nenhum brasileiro venceu mais braceletes da WSOP do que Yuri Martins. São 6 títulos entre 2019 e 2026, passando por Mixed Games, Omaha e, pela primeira vez na carreira, o No Limit Hold’em: modalidade na qual venceu o hexa, em junho de 2026, no US$ 100.000 High Roller. O título também rendeu a Yuri a maior premiação de sua carreira: US$ 2.841.432.

Considerado por boa parte da comunidade como o melhor jogador da história do Brasil – e um dos melhores do mundo na atualidade –, Yuri já declarou publicamente que sonha em um dia perseguir o recorde histórico de braceletes, hoje nas mãos de Phil Hellmuth. Foi justamente a sexta conquista de Yuri que empurrou o Brasil para a marca simbólica dos 50 braceletes.

Outros multi-campeões: João Simão e Dante Goya

Yuri não está sozinho no topo. João Simão soma 4 braceletes, do título conquistado na WSOP Online 2021 até o tetracampeonato no US$ 50.000 High Roller Pot-Limit Omaha de 2026: hoje ele é considerado o jogador mais lucrativo do poker ao vivo brasileiro. Dante Goya completa o trio de multicampeões, com 2 títulos: o primeiro no PLO Championship da WSOP Paradise 2023, o segundo na WSOP Online 2025.

JogadorTotal de braceletesPrimeiro títuloTítulo mais recente
Yuri Martins Dzivielevski62019:  Mixed Omaha Hi/Lo 8 or Better2026: US$ 100K High Roller (NLH)
João Simão42021: WSOP Online (Caesars Cares)2026: US$ 50K High Roller PLO
Dante Goya22023: PLO Championship (WSOP Paradise)2025: WSOP Online

2025: o ano em que o Brasil dominou o poker online mundial

A temporada de 2025 merece destaque à parte. Na WSOP Online, o Brasil terminou disparado em primeiro lugar no quadro geral de medalhas: foram 8 braceletes, mais que o dobro da segunda colocada, Alemanha, que somou apenas 3 (mesmo número de Israel, em terceiro).

Os campeões verde e amarelo daquela edição foram Dante Goya, Arthur Ebrahim, Léo Jokura, Adrovan Rodrigues, Bárbara Akemi, Victor Oliveira, Iago Botelho e Rodrigo Selouan, este último encerrando a série com a maior premiação da história do poker online brasileiro, US$ 2.003.850.

Somando os títulos conquistados ao vivo em Las Vegas e na WSOP Paradise, o Brasil fechou 2025 com 12 braceletes no total: até então, o melhor ano da história do país na série mundial.

2026: o ano da marca histórica

A temporada de 2026 começou de onde 2025 parou. Foram três braceletes conquistados por brasileiros em Las Vegas até agora: Yuri Martins no US$ 100.000 High Roller (o 50º do país), João Simão no US$ 50.000 High Roller PLO (51º) e a dupla Breno Drumond e Henrique Lessa no Tag Team (52º), resultado que também rendeu ao Brasil o recorde de braceletes conquistados em uma única edição da WSOP em Las Vegas.

O Main Event 2026 ainda está em andamento, com mesa final prevista para o início de agosto, e o Brasil segue com representantes vivos na disputa. Ou seja: o número de 52 braceletes pode não ser a palavra final da temporada.

O que essa trajetória diz sobre o poker brasileiro 

Do coadjuvante isolado de 2008 à potência que hoje lidera rankings mundiais de braceletes, a trajetória do Brasil na WSOP reflete a maturidade alcançada pelo poker nacional nos últimos anos.

A WSOP Online foi o grande divisor de águas, ao abrir a porta para uma nova geração de jogadores sem depender de viagens a Las Vegas. Mas o país também provou, com os títulos recentes de Yuri, Simão e a dupla do Tag Team, que segue forte nos feltros presenciais.

Com Yuri Martins de olho no recorde histórico e novos nomes surgindo a cada temporada, a pergunta natural é: quantos braceletes o Brasil vai somar até o fim de 2026?