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Campeão mundial de cash game, Pedro “Biluzin” Toledo fala com detalhes sobre sua jornada até o título

Campeão mundial de cash game, Pedro “Biluzin” Toledo fala com detalhes sobre sua jornada até o título

O Brasil comemorou no fim de 2025 uma das maiores conquistas da história do poker nacional. Pedro “Biluzin” Toledo superou alguns dos melhores jogadores do mundo ao conquistar o título do High Stakes Cash Game World Championship (CGWC), o mundial de cash games sediado pela CoinPoker.

Em entrevista para o canal da Metagame – time e escola de cash games que apoiou Pedro durante a jornada – no YouTube, Pedro compartilhou alguns detalhes de sua jornada, respondendo perguntas de espectadores e de grandes profissionais brasileiros, como Max Lacerna e Mateus “Zinhão” Carrión, sócios da instituição e professores do grande campeão. 

Neste artigo, o time da PokerListings separou os melhores momentos da conversa, destacando todas as informações que ajudam a entender como Pedro conquistou esse feito, permitindo que você se inspire com a trajetória do jogador e, quem sabe, adicionar algumas dessas dicas ao seu andamento nas mesas.

O que é o High Stakes Cash Game World Championship (CGWC)

CGWC é o nome dado para um dos maiores “desafios” de cash game do mundo, sediado pela CoinPoker, a maior plataforma de criptopoker do mundo. Entre os dias 10 de novembro e 7 de dezembro, alguns dos melhores jogadores do mundo se reuniram em mesas de NL10K para a disputa do evento, que premiou o melhor jogador do ranking (em EV) com um Rolex avaliado em US$ 35 mil.

Como já sabemos, o grande campeão foi Pedro Toledo, que precisou bater grandes nomes do poker para conquistar o feito. Entre eles, o conhecidíssimo Linus Loeliger, Kevin Paqué, Roberto “Davy Jones” Perez, além do campeão de 2024, Owen Messere.

Com 80 a 90 jogadores participando da disputa, o High Stakes Cash Game World Championship reuniu apenas a “nata” do poker mundial, com menos de 10% jogadores sendo não-profissionais. A concorrência era muito forte e, por isso, muitos jogadores comparam a conquista de Pedro com outras façanhas históricas do país:“O poker traz um pouco de variância, mas são 40 mil mãos que Pedro jogou contra os melhores dos melhores. O que ele fez é parecido com o que Guga fez em 1997, ganhando um Roland-Garros”, explica Zinhão. “Nunca tínhamos conseguido um feito tão grande no cash game”, completou.

Como foi jogar o CGWC?

Como foi jogar o CGWC?

Para a surpresa de muitos, a preparação de Pedro Toledo não veio com tanta antecedência. O jogador conta que não fazia ideia de quando o CGWC começaria até semanas antes do início, e que a decisão de participar se deu durante uma aula na Metagame, quando descobriu que a competição se aproximava.

Interessado em participar – e sempre aumentar seus limites – Pedro buscou a ajuda de seus backers (Zinhão, Max, Saulo Costa e mais) para saber se conseguiria participar. Com o apoio, Toledo começou sua trajetória com sete buy-ins, o equivalente a US$ 70 mil.

Pedro conta que sua mentalidade ao entrar no desafio nunca foi pelo título, mas especialmente pela competitividade e pelo desafio de jogar contra os melhores do mundo. “É o sonho de todo mundo que joga cash game – pelo menos o meu – jogar contra esses caras. Batalhar contra os melhores e estar ali jogando no mais alto nível. Eu queria fazer isso, ter essa experiência, e acabou dando no que deu”, afirma.

Pedro precisou estudar outros jogadores antes do CGWC?

Enquanto muitos se prepararam para o CGWC apostando em obter o máximo conhecimento possível sobre seus adversários, Pedro revela que o seu “plano de jogo” não chegou a ser tão individual e que focou em manter a sua estratégia de maneira sólida, sem pensar em jogar de formas específicas contra cada um dos participantes.

Os “dados” sobre outros jogadores vieram através do feeling que adquiria durante as mesas e pela forma como eles agiam. “É mais jogar sólido, tentar não errar e tentar capitalizar em cima disso. Não acho que seja um field onde você consegue ficar exploitando todo mundo, a todo momento”, explica.

Apesar de não focar tanto nos indivíduos, Pedro contou com a ajuda da Metagame para recolher alguns detalhes, como informações sobre outros jogadores e um suporte, especialmente na reta final, com o acompanhamento do ranking e indicações de quando o jogador deveria participar ou não das mãos.

O campeão mundial de cash games também revelou que não fez muitas mudanças em sua rotina, mantendo a “normalidade” mesmo quando começou o desafio. O jogador destaca que essa manutenção do se deu principalmente porque acredita que seus resultados tiveram uma evolução quando passou a adotar um dia a dia mais saudável.

No começo eu coloquei uma ou duas mesas do desafio, fui me acostumando, até que substitui totalmente – em uns três dias – o meu grind pelo desafio. Dormindo e acordando no mesmo horário. Foi algo que demorei para ter na minha vida, essa rotina. Dormia, acordava e comia a hora que eu queria. Não à toa, mas faz pouco mais de um ano que eu tô bem focado em rotina e fazer as coisas no mesmo horário. Durmo cedo, acordo cedo, como na hora, faço exercícios”, explicou.

Biluzin fala sobre hate da concorrência

Outro detalhe interessante discutido durante o podcast foi sobre o trash talking que Pedro recebeu durante sua trajetória no CGWC. O jogador afirma que esse comportamento teve o efeito contrário em sua moral, tendo o estimulado a ser melhor: “Foi bem motivador. Ter as pessoas duvidando, acho que só me deu gás. Ainda mais com as falas que eu ficava recebendo, falando como se eu não merecesse estar ali”, revelou. “Eu achei bem ruim. Vários caras com a atitude infantil, mas vários vieram depois me pedir desculpas, dar parabéns”, desabafou.

Ademais, Toledo não teve muito o que reclamar da CGWC, sediada pela CoinPoker. Durante a entrevista, o jogador afirma que o formato da competição “foi muito bom”, especialmente para quem estava disputando, sendo muito emocionante do início ao fim. A plataforma também foi elogiada pelo jogador, que afirmou considerá-la simples e boa para jogar, sem muita poluição visual.

Owen Messere foi o jogador mais difícil de enfrentar

Talvez uma das perguntas mais polêmicas diz respeito ao nível dos adversários que Pedro enfrentou. Questionado sobre quem seriam os melhores da disputa, o jogador citou alguns nomes, mas um deles se destaca: Owen Messere, o campeão da CGWC em 2024.Segundo Pedro, Owen é “muito bom” e, apesar de não o ter enfrentado muitas vezes no início da competição, teve um volume bem alto de mãos contra o jogador ao final. Biluzin conta que Owen lhe deu “bastante trabalho”, o colocando em “spots muito difíceis e usando estratégias não-convencionais”, que não são muito comuns entre outros jogadores, especialmente no que diz respeito a sizes, sports e apostas de valor.

O estilo de jogo agressivo de Pedro Toledo

Muitos também ficam curiosos pelo método ou estratégia adotada por Biluzin durante toda a trajetória no CGWC – e também fora. Pedro se considera um jogador muito intuitivo, afirmando que não tem medo de errar e ser um spewy, utilizando essas falhas para estudar e aprender depois. “Acho que faz parte da natureza do meu jogo, acho que sempre muito assim, desde que comecei a jogar. Um cara mais agressivo, que tenta buscar blefes”, explica.

Segundo o jogador, é importante que cada pessoa tenha um estilo particular de jogo, e isso não significa que alguns sejam melhores ou piores – mesmo que destaque a necessidade de estudar para obter melhores resultados.

O jogador também falou sobre quando usa o GTO e quando usa a sua intuição. Apesar de se considerar um jogador bem agressivo, ele afirma que sempre tenta se aproximar do GTO, especialmente no flop e no turn. Apesar do pensamento voltado para o GTO ajudar muito, ler os adversários também é fundamental. “Sua intuição vai ser sua experiência de jogo, o quanto você estudou, seu subconsciente no jogo”, afirma. “Eu acho que, por gostar muito de jogar, eu tô sempre muito presente. Não tô só clicando botão. Tô sempre prestando muito atenção no que o cara tá fazendo, as dicas que ele tá dando” completa.

Destaques técnicos e mentais de Pedro: e como resistir a downswings

Outro assunto interessante na conversa diz respeito as qualidades que Pedro acredita ter e que o destacam como jogador. O campeão da CGWC diz que, tecnicamente, não acredita ser o “cara mais nerd”, mas que sempre está em busca de se aprofundar e aprender mais sobre o jogo.

O que Biluzin gosta de destacar, na realidade, é sua resiliência mental, mesmo em momentos difíceis. O jogador afirma que fica nervoso com momentos difíceis, mas que não transmite isso para seu jogo, mantendo sempre a estratégia, mesmo que precise “externalizar” os sentimentos negativos em alguns momentos.

Pedro “Biluzin” Toledo

É sempre frustrante perder, mas eu diria que uma das minhas valências é conseguir performar bem apesar dos resultados. Consigo lidar com swings muito grandes e me manter no jogo muito sólido ainda. Não mudar minha estratégia e plano de jogo apesar dos resultados. Acho que isso conta muito. Posso não ser o cara mais técnico, mas tenho outras valências que eles podem não ter

Como Pedro “Biluzin” Toledo começou a estudar o poker

Se você tem curiosidade sobre como começar a estudar o poker, saiba que Pedro Toledo é um exemplo bem exclusivo de como essa dinâmica pode se dar. O jogador afirma que, no início, assistia todos os vídeos de estudos possíveis em poucos dias, passando o restante do mês inteiro focado no grind.

“Eu não tinha horário de estudo, devorava tudo, fazia um estudo mais ativo, marcava as coisas no caderno para decorar e não ter que estudar de novo – eu queria passar o menor tempo possível estudando. Então eu usava um ou dois dias estudando tudo que podia e o resto do mês todo grindando. Fiz isso a minha carreira toda praticamente”, explica.

O próprio Biluzin diz que considera seu jeito “atípico”, destacando que é necessário que cada jogador encontre sua própria maneira de evoluir no jogo. “Sempre fui muito amigo das pessoas que estudavam comigo e ninguém operava dessa maneira. Era um jeito meu mesmo e não acho que um cara deve escutar isso e fazer igual, nem é saudável. Você precisa fazer o que funciona para você”, aponta. Além disso, também destaca a importância da constância. “Você tem que fazer algo que é prazeroso. Já tentei estudar duas horas por dia e para mim era um saco. Eu não conseguiria ficar ali. Eu não ia conseguir manter isso, então faço a coisa de um jeito que gosto e tenho prazer de fazer, por isso sempre consigo fazer”, conta.

“Não sou o melhor jogador do mundo”

Se a CGWC foi importante para Pedro evoluir como jogador, veremos nos próximos meses. O campeão afirma que não acredita ter aprendido tanto ao nível técnico, mas que, com certeza, o título teve um impacto muito positivo em sua confiança como profissional:

Eu tenho completa consciência que tive uma boa jornada. Não acho que sou o melhor jogador do mundo. O título é legal, mas não acho que sou. Acho que tem muito para melhorar. Mas me dá a confiança de saber que consegui sentar lá e ter um resultado legal apesar da variância. Da a confiança de estar preparado para jogar qualquer coisa”, conta.Aos interessados, a trajetória de Pedro durante a CGWC poderá ser acompanhada em um documentário exclusivo que está sendo produzido pela própria Metagame. Durante as últimas horas de desafio, Zinhão – que estava acompanhando Pedro presencialmente – viu o jogador trocar a liderança com Owen várias vezes, tornando esse dia muito emocionante para o jogador e para os que acompanhavam. “Foi a parada mais emocionante que eu já presenciei no poker”, afirmou Zinhão. “Foi uma das maiores emoções da minha vida”, completa.

O futuro do campeão mundial de cash games

Pedro “Biluzin” Toledo

O futuro de Pedro “Biluzin” Toledo ainda parece incerto, até porque o próprio jogador tem interesse em explorar muito mais do poker – entre modalidades, formatos e mais. O campeão mundial de cash games afirma que tem vontade de jogar presencial na Triton, destacando que tem vontade de subir de stakes sempre que possível.

Pedro “Biluzin” Toledo

Eu comecei no poker assistindo ‘Poker After Dark’ e ficava impressionado com Tom Dawn, achando insano ver ele jogar e passar uns blefes insanos e gigantes. Sempre foi algo que me inspirou, ver um jovem botando as pessoas para pensar. […] É algo que tenho vontade de fazer com certeza