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Yuri Martins fala sobre “aposentadoria” dos torneios e dedicação aos cash games

Yuri Martins fala sobre “aposentadoria” dos torneios e dedicação aos cash games

Todos os que acompanham o cenário de poker brasileiro conhecem um nome: Yuri Martins Dzivielevski, considerado por muitos o melhor jogador da história do país – e um dos melhores do mundo. Líder na lista de All-Time Money do Brasil e detentor de cinco braceletes da WSOP, o craque é um rosto temido nos torneios nacionais e internacionais – mas revelou em entrevista que está “afastado” do formato por um tempo que não determinou.

Morando nos Estados Unidos, Yuri passou a priorizar outras coisas em sua vida: largou os torneios para se dedicar aos cash games e aproveita a flexibilidade de horário para se dedicar a outras áreas da profissão – como a Reg Life, sua escola de poker – e a sua família. Mesmo assim, o jogador não deixou de prestigiar a Brazilian Series of Poker (BSOP), que acontece neste mês de novembro em São Paulo. O jogador participou do R$ 500K Super High Roller, torneio de maior buy-in da história do país, e aproveitou para conversar sobre seu momento atual em entrevista para o portal Mundo Poker.

Yuri Martins está “aposentado” dos torneios de poker

Dzivielevski foi direto ao ponto em todas as perguntas que respondeu durante a entrevista. Logo de cara, revelou que após alcançar um certo nível nas mesas de poker, precisou abandonar os torneios para se dedicar aos cash games, onde a variância é menor e, portanto, pode manter um bankroll menor: “Em torneios de poker, nenhum jogador vai conseguir ter bankroll suficiente para jogar os high stakes sozinho”, explica.

O jogador afirma que, nos high stakes, os jogadores podem explorar duas opções: vender ações para outras pessoas ou juntar-se em grupos (pools) para comprar a ação de um colega, que jogará torneios mais caros.

O próprio Yuri participou de uma “pool”, a 9Tales, onde dividia conhecimentos e bankroll com grandes nomes do poker brasileiro, como Rodrigo Seiji e Pedro Garagnani, mas deixou o grupo para explorar a carreira solo. “Eu não tenho mais pool e não faço mais isso porque eu não jogo mais torneios. Essa é a verdade”, revela. “Nos cash games a variância é menor, você precisa de um bankroll menor, então eu consigo jogar por conta própria”, completa o jogador.

Mudança para os EUA e vida pessoal

O jogador também falou sobre seu momento nos Estados Unidos, onde está dedicado aos cash games. Yuri explica que, mesmo morando em um país onde o poker é extremamente popular, prefere se dedicar aos cash games online, onde encontra limites compatíveis com os que joga atualmente.

Craque dos Mixed Games, o profissional revelou que, em sua cidade, os cashes na modalidade tem limites muito baixos, enquanto em outras, como Las Vegas, as opções são poucas. Na cidade sede da WSOP, costuma jogar na Bobby’s Room, única sala aberta ao público que conhece nos seus limites atuais. “Tem outros que o David Baker faz, só que esse é fechado e ele não deixa eu entrar”, conta.

A mudança para os cash games também permitiu uma certa flexibilidade para a vida pessoal de Yuri, que possui uma esposa e filha pequena. 

O jogador afirma que a quantidade de trabalho não diminuiu, mas explica que no momento prefere dedicar suas horas livres a família quando não está em frente as telas trabalhando:

Eu tenho trabalhado muito, muito mesmo. Só que não aparece, porque não é mais nos torneios. E como eu jogo muitos jogos e tenho jogado muito caro, eu não posso parar de trabalhar porque senão eu vou ficar para trás. Eu sempre gosto de me manter no topo do que eu faço. E tenho trabalhado seis vezes por semana. Não aparece porque não tem resultados de torneios, não estou nos grandes sites. Mas sigo na mesma pegada”, afirma.“Óbvio que o dinheiro tem um impacto nisso, é uma boa recompensa pelo esforço. Mas eu sou extremamente competitivo. Realmente eu não sei de onde vem a minha motivação. Várias pessoas já me perguntaram de onde eu tiro a motivação para estudar muito e jogar muito. E eu realmente não sei. É algo que está em mim, intrínseco”, completa o jogador.

Jogadores de high stakes no Brasil são melhores que no resto do mundo?

Conhecido por jogar torneios em todo o mundo, Yuri Martins conhece o nível dos jogadores em diferentes stakes e modalidades. Por isso, tem a capacidade de falar sobre como está patamar dos jogadores brasileiros atualmente, em comparação com os profissionais de outros países.

Segundo Dzivielevski, neste momento, o nível entre os jogadores que jogam US$ 100K ou US$ 200K é bem parecido ou até mesmo mais complicado no Brasil. Segundo o jogador, quem joga neste limite são os “melhores dos melhores”, dificultando equiparar ambos os cenários.

Entretanto, o jogador também pontuou que, em níveis mais baixos, os torneios acabam sendo um pouco mais difíceis pela quantidade de regulares bons que não jogam torneios tão caros.“Jogar um torneio desse valor é bom porque tem uns regulares que são muito bons e que não jogam, exatamente por ser tão caro. Geralmente os torneios muito caros como esse são mais fáceis do que aqueles intermediários de US$ 25K, por exemplo. US$ 25K é mais difícil do que um US$ 100K geralmente”, completou.